segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Lançamento do filme 'Quanto dura o amor' em Assis-SP


Por Jaqueline Bueno
O longa metragem nacional “Quanto dura o amor?”, do diretor Roberto Moreira, estreou em Assis- SP na última sexta-feira (25), no Cinema FAC. O filme conta com a participação da atriz assisense Maria Clara Spinelli que esteve presente durante a exibição, juntamente com o diretor, com a atriz e produtora de elenco Paula Pretta e com o produtor Luciano Patrick, da produtora Coração da Selva.
É a primeira vez que atriz Maria Clara Spinelli atua no cinema. Para ela, a transição do teatro para a telona foi uma experiência intensa e cheia de muito trabalho. “Uma característica do diretor Roberto é pedir para que os atores não decorem o texto e usem a improvisação. Isso foi um desafio para mim. Tenho que agradecer ao Sérgio Pena, pois foi ele quem me ajudou com a interpretação no cinema”, comenta Maria Clara Spinelli.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
"Quanto dura o amor?"
Foto: divulgação
Por Jaqueline Bueno
O filme “Quanto dura o amor”, do diretor Roberto Moreira, será lançado (em primeiro lugar de todo o país) nesta sexta-feira (25), às 20h, no Cinema FAC da Fundação Assisense de Cultura, em Assis, interior de São Paulo. O filme conta com a participação da atriz assisense Maria Clara Spinelli.
Após a sessão do filme, haverá um bate papo exclusivo com o diretor e atrizes.
O filme “Quanto dura o amor?”, que já passou pelos festivais de cinema latino americano – SP, Festival de Paulínia, INDIE – BH e Seleção Bourbon – POA, e tem lançamento confirmado nos Estados Unidos, chega a Assis com sessões dia 25/09 (sexta-feira), às 20h, e nos dias 26 e 27/09 (sábado e domingo), às 18h e 20h.
Abaixo você confere o trailer do filme.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Vivemos e morreremos com ela
A preguiça. O último dos sete pecados capitais tem cara de gato, cheiro de mato, cochilo no sofá, moleza nos músculos, pálpebras pesadas, mas com um peso diferente de quando se está há várias noites sem dormir.
Por causa dela, a gente fica inerte, tem uns devaneios. Se se deixar levar, é possível esbarrar no ócio. É uma anulação do ser, uma aversão ao trabalho. Com ela, a gente aceita o nada e o faz parecer tudo. A gente se torna lento e estabelece uma morosidade na realização de ações e no pensar. Sente o corpo mais velho do que é. Fazer o quê? Assim que a vida é. Esse é um pensamento um tanto preguiçoso.
Vou parar aqui, porque a preguiça está me convidando para fazer coisa nenhuma.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Pequena notável
Por Jaqueline Bueno
Todo dia é a mesma coisa, as mesmas pessoas, a mesma ida e volta, o mesmo eu, mas não a mesma alegria. O tempo parou num instante. Flores, frutas, borboletas se misturavam com as bolinhas multicolores do pijama que traz tranquilidade e, às vezes, segurança.
Saltos pelas descobertas num labirinto com agradáveis odores. Parei e pensei em quando eu era criança. Que vontade de voltar no tempo e pular amarelinha, correr no campo, roubar amoras no vizinho, esmagá-las nas mãos, passá-las pelo corpo e chegar gritando, fingindo ter se cortado e ouvir a voz serena daquela senhora que cuidou dos sete netos e educava-os com vara feita de couro, de boi ou de cavalo?Já nem me lembro mais.
Agora, volto no tempo em passos curtos e rápidos, sem um tempo para ela e com medo de logo perdê-la. O que será de nós? Nossas tardes de domingo cheirando o quinto café feito para aquelas pessoas que antes eram pessoinhas e os bolinhos duros... Ahh! Preciso pensar nisso.
Crescer é bom, mas viver como criança é melhor ainda: o abraço, a bagunça nos cabelos de fios mesclados de branco, cinza e uns pretinhos tímidos me remetem a momentos únicos.
De uns meses para cá, tenho sentido uma falta tão intensa dela, que os poucos minutos sentada ao lado da vózinha, uma vez por semana, não têm sido suficientes. Chega a ser uma dor interna, afrouxada pelo sorrisinho recebido ao chegar ao portão.
Tenho medo de que o labirinto da vida não possibilite mais o reencontro e que tomemos rumos diferentes. Pois estamos tão perto e tão longe. Quero que a rotina continue para nós, porque todo dia ela faz tudo sempre igual e é natural, simples e verdadeiro.
Não sei o por quê, mas de um pensamento, de um começo de escrita parti para este caminho, senti o cheiro do frango, do arroz sem sal, ouvi seus risos pelo beijo roubado na tela da TV e pela fala arrastada do personagem cinematográfico e mais uma vez sua voz:
- Fia, não vai não! Fica.
E agora eu me pego pensando:
- Fia, não vai não! Fica.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Paixões
Por Suely da Silva Lima
Lembro de como comecei a gostar de futebol. Tinha um namorado tipo craque do time, sabe? Baixinho, marrento, que se achava o dono da bola. Aquele tipo chato e insuportável que arrumava briga até em pelada de dia chuvoso jogando sozinho. O cara era tão mala que, para convencer a todos que era bom, não tinha outra opção a não ser jogar futebol. E jogava. Tudo bem que todo fim de jogo o time todo saía correndo de campo e sempre alguém acabava machucado. Nunca ele, pois, além de bom de bola, o malinha era ligeiro que só ele.
Bom, chega de saudades. O namoro acabou, mas a paixão por futebol permanece. Talvez não com a mesma intensidade, mas o gostinho pela coisa continua aqui. Agora é só alimentar. Jargões como “futebol é coisa de macho” e “mulher na sala é só para levar cerveja” já não fazem mais sentido. Muitas vezes causam até revoltas. Não preciso discutir um 4-3-3 ou um 4-4-2 com quem quer que seja para provar que gosto de futebol, ou que pelo menos entendo um pouquinho. É algo que sei e ponto. O simples fato de eu assistir um jogo sem precisar ligar para alguém do sexo masculino pedindo uma explicação de determinado lance, por si só vale por uma goleada daquelas. É uma lavada.
Posso não dominar todas as terminologias futebolísticas ou saber quem é o atual líder do campeonato, mas também não preciso explicar um esquema tático como se eu fosse uma doutora no assunto. É igual fazer um bolo: muitas vezes você não entende por que precisa peneirar a farinha ou usar os ovos em temperatura ambiente, você só precisa saber que isto faz toda a diferença no resultado final do bolo. Futebol para mim é assim: o goleiro guarda o gol, o atacante ataca e o zagueiro protege. Se por acaso o zagueiro fizer um gol, melhor, se o goleiro bate uma falta no ângulo, lá no cantinho da trave, ótimo e se o centroavante não faz o gol obrigatório, isso são coisas do futebol. Não precisa explicar por que um time que atacou durante 90 minutos levou um gol idiota nos últimos segundos de acréscimo.
Na minha casa, além dos meninos - legítimos pernas de pau - a maior entusiasta do futebol é minha mãe, que não entende nada do esporte, mas torce como uma louca pelo Brasil, “o único time digno de sua presença na sala”.
Não tenho muita intimidade com o mundo e os jargões futebolísticos, mas também não faço feio em uma conversa de beira de campo. Há algumas coisas e nomes que causam estranheza, mas deixa para lá! Agora, que é estranho um estádio ser chamado de Frasqueirão, lá isso é. Começa por aí os nomes engraçados ou esquisitos.
Essa não é a pior parte de um futebol na TV. Esses nomes e os apelidos dos jogadores são até engraçados, difícil de engolir mesmo são as adivinhações de alguns narradores videntes. Sabe aquele cara que não te deixa sentir o jogo, aquele que antevê e descreve o gol antes mesmo da saída de bola? Pois é, esse mesmo! Pior do que eles, só mesmo os comentaristas, em muitos casos jogadores e árbitros aposentados que criticam a atuação das pessoas em campo. Eles já tiveram suas oportunidades - alguns foram bem sucedidos - outros nem tanto, mas tá valendo. Como diria um amigo “o importante é o que importa e o objetivo é o gol”. Obviamente um jogador, quem mais usaria uma frase dessas?
Outros amores vieram e com eles novas paixões, mas nenhuma tão marcante ou empolgante quanto o futebol. Existe algo mais emocionante que um final de campeonato? Que uma partida na qual o maior adversário do seu time toma uma lavada? Que outro momento da sua vida você fica feliz com a derrota... do adversário, é lógico?
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Mônica
Denise Moreira
Luciano Sampaio Di Creddo
Suely da Silva Lima
Mônica dedica boa parte do seu tempo ao Instituto do Negro Zimbauê, do qual é presidente e onde desenvolve atividades buscando uma sociedade mais justa e humana, na qual os negros tenham o seu valor reconhecido. Além, é claro, de cuidar da casa e do marido, com quem é casada há 14 anos.
- Posso me considerar uma pessoa privilegiada e, por isso, agradeço a Deus e a meu pai José Maria. Ele era guerreiro e sempre nos orientou, e nos fez perceber que se estudássemos conseguiríamos fazer a diferença. Todo mundo sabe que o estudo abre portas e muda o futuro e isso transformou a minha vida. Algumas pessoas me consideram bonita, inteligente, batalhadora, sei que se comparada à maioria dos negros posso me considerar privilegiada. Sou uma vitoriosa, sem dúvida nenhuma e isso devo, principalmente, a minha família.
Eu sou extremamente positiva, calma e perseverante. Não desisto fácil. Essas são características que tenho desde pequena. Lembro da minha irmã, ela tinha muita facilidade em assimilar o conteúdo das aulas, já eu...demorava mais para entender, porém me dedicava e, com paciência, treinava, refazia os exercícios várias vezes, até aprender. Essa sou eu: determinação.
Antes de me tornar a Mônica de hoje, venci muitos obstáculos: morei fora um ano e voltei para Assis depois que a minha mãe faleceu, fui discriminada, perdi oportunidades de emprego por ser negra. Para chegar à faculdade fiz cursinho comunitário. Do preconceito sempre fica algo negativo, mas com o tempo a gente tenta esquecer e superar.
Algumas pessoas querem mudar o mundo, eu só quero fazer a minha parte e ajudar a melhorar a realidade em que eu vivo!
Sempre me pergunto onde estão os negros do Brasil e mais importante ainda, onde estão os negros de Assis. Quantos médicos negros nós vemos aqui na cidade? Quantas negras, gerentes de bancos ou de lojas nós temos em Assis? Quantos negros ocupando lugares de destaque em empresas? Quero ver mais negros fazendo compras no shopping, freqüentando bons restaurantes, bons lugares e não apenas trabalhando como segurança ou vendedor. Nós, negros, devemos nos questionar e buscar nosso espaço. Muitas vezes nos foi dito que somos inferiores, desprovidos de conhecimento e isso não é verdade.
Existe uma regra, maquiada pela sociedade estabelecendo que devemos negar nossa raça, nossa origem, esse é um dos nossos maiores problemas. Durante um bom tempo da minha vida eu alisei meu cabelo, porque era isso que se esperava. Hoje eu assumo minha negritude deixando meu cabelo crespo, usando roupas coloridas e na minha casa, eu tenho objetos da cultura afro. Se não assumirmos nossa negritude, como podemos buscar uma sociedade mais justa?
Nós tentamos, com o trabalho no Zimbauê, quebrar, transformar esses paradigmas, romper essa ideologia que procura legitimar a escravidão. Nossa missão é mostrar a essa nova geração que eles podem sonhar e vencer. Por isso, trabalhamos nas escolas com os adolescentes, falamos de coisas que nunca foram ditas, mostramos que eles são capazes, são alguém e sentimos que o nosso objetivo está sendo alcançado quando vemos o brilho nos olhos deles. É uma luta constante contra a desigualdade racial, a busca de uma identidade negra definitiva. Acreditamos que todos merecem oportunidades iguais, independente de raça, cor, sexo e posição social. Mostrar que todos podem ocupar o seu lugar ao sol é um desafio que superamos a cada dia.
A discriminação continua existindo, o que mudou foi minha atitude, a medida em que nos reconhecemos como negros, aprendemos a lidar com ela e passamos a ser mais felizes. Sou feliz. Eu ocupei o meu espaço!
(Texto desenvolvido para a disciplina de Jornalismo Comunitário)




