terça-feira, 15 de setembro de 2009

Paixões


Por Suely da Silva Lima


Lembro de como comecei a gostar de futebol. Tinha um namorado tipo craque do time, sabe? Baixinho, marrento, que se achava o dono da bola. Aquele tipo chato e insuportável que arrumava briga até em pelada de dia chuvoso jogando sozinho. O cara era tão mala que, para convencer a todos que era bom, não tinha outra opção a não ser jogar futebol. E jogava. Tudo bem que todo fim de jogo o time todo saía correndo de campo e sempre alguém acabava machucado. Nunca ele, pois, além de bom de bola, o malinha era ligeiro que só ele.


Bom, chega de saudades. O namoro acabou, mas a paixão por futebol permanece. Talvez não com a mesma intensidade, mas o gostinho pela coisa continua aqui. Agora é só alimentar. Jargões como “futebol é coisa de macho” e “mulher na sala é só para levar cerveja” já não fazem mais sentido. Muitas vezes causam até revoltas. Não preciso discutir um 4-3-3 ou um 4-4-2 com quem quer que seja para provar que gosto de futebol, ou que pelo menos entendo um pouquinho. É algo que sei e ponto. O simples fato de eu assistir um jogo sem precisar ligar para alguém do sexo masculino pedindo uma explicação de determinado lance, por si só vale por uma goleada daquelas. É uma lavada.


Posso não dominar todas as terminologias futebolísticas ou saber quem é o atual líder do campeonato, mas também não preciso explicar um esquema tático como se eu fosse uma doutora no assunto. É igual fazer um bolo: muitas vezes você não entende por que precisa peneirar a farinha ou usar os ovos em temperatura ambiente, você só precisa saber que isto faz toda a diferença no resultado final do bolo. Futebol para mim é assim: o goleiro guarda o gol, o atacante ataca e o zagueiro protege. Se por acaso o zagueiro fizer um gol, melhor, se o goleiro bate uma falta no ângulo, lá no cantinho da trave, ótimo e se o centroavante não faz o gol obrigatório, isso são coisas do futebol. Não precisa explicar por que um time que atacou durante 90 minutos levou um gol idiota nos últimos segundos de acréscimo.


Na minha casa, além dos meninos - legítimos pernas de pau - a maior entusiasta do futebol é minha mãe, que não entende nada do esporte, mas torce como uma louca pelo Brasil, “o único time digno de sua presença na sala”.


Não tenho muita intimidade com o mundo e os jargões futebolísticos, mas também não faço feio em uma conversa de beira de campo. Há algumas coisas e nomes que causam estranheza, mas deixa para lá! Agora, que é estranho um estádio ser chamado de Frasqueirão, lá isso é. Começa por aí os nomes engraçados ou esquisitos.


Essa não é a pior parte de um futebol na TV. Esses nomes e os apelidos dos jogadores são até engraçados, difícil de engolir mesmo são as adivinhações de alguns narradores videntes. Sabe aquele cara que não te deixa sentir o jogo, aquele que antevê e descreve o gol antes mesmo da saída de bola? Pois é, esse mesmo! Pior do que eles, só mesmo os comentaristas, em muitos casos jogadores e árbitros aposentados que criticam a atuação das pessoas em campo. Eles já tiveram suas oportunidades - alguns foram bem sucedidos - outros nem tanto, mas tá valendo. Como diria um amigo “o importante é o que importa e o objetivo é o gol”. Obviamente um jogador, quem mais usaria uma frase dessas?


Outros amores vieram e com eles novas paixões, mas nenhuma tão marcante ou empolgante quanto o futebol. Existe algo mais emocionante que um final de campeonato? Que uma partida na qual o maior adversário do seu time toma uma lavada? Que outro momento da sua vida você fica feliz com a derrota... do adversário, é lógico?

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