quinta-feira, 30 de julho de 2009

Inspire e respire


Por Jaqueline Bueno


Inspire e respire... ar um pouco mais puro e limpo.


Como é bom rir bastante e depois de cansado encher os pulmões de ar, soltar e voltar a rir novamente, sem nenhuma interferência.


É maravilhoso sentar com os amigos num barzinho e bater papo sem precisar ficar se abanando para que a fumaça vinda do outro lado não entre pelas suas narinas e percorra seu corpo causando mal estar.


A fumacinha saída dos canudos recheados de nicotina pode ser um alívio para aqueles que precisam relaxar, ou para quem troca um alimento calórico, mas se você não tem o hábito – vício – é praticamente uma sentença de morte.


Nos anos de 1960, as pessoas fumavam por modismo, por um ideal de liberdade. Hoje, 2009, ser livre é conseguir sentar embaixo de uma árvore, passar horas lendo o livro preferido, assistir ao filme que esperou ansiosamente porque a sinopse fez dele a melhor história até o momento.


Tenho muitos amigos fumantes, mas todos eles já sabem que ao me visitarem só poderão acender um cigarrinho e dar um ‘trago’ lá no quintal, longe de todo mundo. Dentro do carro, nem pensar. Afinal, temos que compartilhar com as pessoas apenas coisas boas e que dão prazer tanto para um como para o outro.


A restrição ao fumo determinada pela nova lei estadual nº 13.541 que entrará em vigor no dia 7 de agosto é mais uma conquista em defesa da saúde pública. Que me desculpem os fumantes, mas ficar em um ambiente sem nenhum resquício do cigarro é algo que venho sonhando há anos.


Pode parecer um papo careta, mas o cigarro passou pela minha vida e foi como comer berinjela- para mim é torturante -, mas antes de reclamar, eu experimentei.


Liberdade e direito de fumar você tem. E nós também temos o direito de viver melhor. Lembre-se que estamos interligados, independente da sua profissão ou maneira de ser e que de algum modo alguém pode ser prejudicado por causa de sua atitude.


Lei antifumo*

Não pode fumar

No interior de bares, boates, restaurantes, escolas, museus, áreas comuns de condomínios e hotéis, casas de shows, açougues, padarias, farmácias e drogarias, supermercados, shoppings, repartições públicas, hospitais e táxis.

Pode Fumar

Em casa, em áreas ao ar livre, estádios de futebol, vias públicas, nas tabacarias e em cultos religiosos, caso isso faça parte do ritual. Quartos de hotéis e pousadas, desde que ocupados por hóspedes, estão liberados.

*Retirado do site http://www.leiantifumo.sp.gov.br/

segunda-feira, 27 de julho de 2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Estante Virtual

"A Estante Virtual é um portal criado para revolucionar a comercialização de livros usados pela internet, colocando todos os recursos que a tecnologia é capaz de oferecer a serviço da comunidade de livreiros e do público amante dos livros.

Reunindo em um mesmo lugar o acervo de centenas de sebos ao mesmo tempo, a Estante Virtual é uma poderosa ferramenta para você localizar aquele livro que você procura sem ter que restringir a eficácia da sua busca procurando pessoalmente nas estantes de um número de sebos que invariavelmente será bastante restrito."

Visite o site e encontre o livro que você procura www.estantevirtual.com.br

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terça-feira, 21 de julho de 2009

Faça-se luz

Este texto eu escrevi quando entrei na FEMA em 2006. Estou no último ano de faculdade e tudo continua igual...algumas coisas piores.

Por Suely da Silva Lima

Quem visita a Fema á noite, tem a impressão de estar no século passado, quando a iluminação ainda era de lampião a gás e a penumbra era reinante. Com amplo espaço e muitas árvores, que por sinal ficam próximas ou embaixo dos postes, o espaço interno da Fema precisa de uma iluminação condizente com sua estrutura.

Ao andar pela localidade após as 19 horas é possível notar a péssima qualidade da iluminação e a má distribuição dos postes. Pelo pátio e estacionamentos, área comum a todos os estudantes, há inúmeros "vales de sombras", onde não há sequer um resquício de luz.

Em local público e com um contingente considerável de pessoas em constante movimento durante a noite, o mínimo que se espera é que as instalações elétricas estejam adequadas à estrutura “físico-espacial” do local. Somando-se a isso e, complicando a situação, não há controle de entrada e saída de pessoas do lugar. Com uma iluminação de luz de velas, muitos veículos e pouca segurança, a Instituição torna-se um convite a pessoas mal-intencionadas que podem aproveitar-se da frouxidão nas portarias e entrar na Fema para praticar furtos. Além de causar danos materiais pode colocar em risco a vida dos alunos.

Faz-se necessário que a administração tome as providências cabíveis, tornando eficiente o controle de saída e entrada de veículos e claro, aumentado a quantidade de postes e a qualidade da iluminação do local, livrando-se assim, de problemas resultantes de reclamações de alunos prejudicados pela falta de segurança do ambiente.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Experiência rica em detalhes


Por Jaqueline Bueno


Sempre com os pés no chão e uma visão administrativa aguda, Antônio José de Carvalho Alves,46, revelou-se um empreendedor. Há quatro anos, deixou o trabalho em uma empresa de médio porte que, segundo ele, era demasiadamente desgastante, para ficar mais perto dos dois filhos e da mulher. E conseguiu.


Sua sensibilidade é transmitida ao entrar pelo grande portão amarelo. O verde das plantas, o tapete no quintal feito com uma graminha que merece ser admirada com o orvalho da manhã. Ao fundo, a oficina de marcenaria onde passa cerca de 11 horas trabalhando. “Acho que é muito tempo, gostaria que fosse menos. Pensei em vir para cá e ficar mais tempo com minha família, e mesmo morando com eles acaba sendo impossível me dedicar como queria”. Mesmo assim, ele dá um jeitinho de jogar xadrez, ir ao clube e assistir filmes. “Ah, e jogar sinuca?”, interrompe a mulher Célia Regina. Com um ar risonho e a sutileza que emprega para fazer as peças, ele concorda e volta a falar das suas atividades. E nesse meio-tempo, comenta sobre uma de suas paixões. “Gosto muito de mexer com plantas, não sou especialista, mas entendo o suficiente para que elas sobrevivam”. Isso é demonstrado em suas criações: enormes rosas, quadros de flores, cabideiro de margaridas.


Com fala rápida e dificuldade para guardar datas, mostra os recortes de jornais, com o auxílio da mulher, datados em 30 de dezembro de 2002, em que aparece seu trabalho. Assis ganhou um toque na época do Natal com os objetos de madeira que decoraram o centro da cidade. Antônio não foi escolhido por acaso, venceu um concurso que lhe rendeu dois mil reais.


Na Avenida São Cristovão, em uma casa de muros altos e um grande portão está seu “show-room”, na edícula ao lado da oficina, dois cômodos guardam as mais belas peças esculpidas na madeira. De símbolo da justiça, passando por sacrário até pequeninas caixas, ele explica como faz cada uma delas. Antônio lembra do dia em que pediram a ele para fazer um genuflexório, começou a rir por não saber do que se tratava e achou que estivessem de brincadeira. Ainda hoje ao olhar para o estrado que serve para ajoelhar e orar, cai na gargalhada pela sua falta de conhecimento.


Desde pequeno gostava de desenhar. Paradoxalmente, aos 17 anos ingressou na universidade para cursar História, pensando em exercer arqueologia ou historiografia. Sua mudança para São Paulo fez com que desistisse desse sonho. Depois, por duas vezes consecutivas, prestou vestibular para Publicidade e Propaganda, mas não era sua hora de começar a graduação.


Permaneceu por 10 anos em seu último trabalho, antes de começar com a marcenaria. Durante este tempo teve a oportunidade de conhecer a Alemanha e os Estados Unidos onde ganhou experiência profissional e enriqueceu seu conhecimento cultural. Apesar da dificuldade com a língua estrangeira, conseguiu passar ileso e satisfeito. “Só não chegou a ser trágico, porque na Alemanha estive com um grupo de pessoas que entendia o idioma.”


Ele estuda minuciosamente suas peças, assim como fazia quando trabalhava no setor administrativo. Compra revistas, olha os desenhos e pensa como ficariam na madeira. Afinal, “obter sombras e relevos nesse tipo de trabalho é complicado”. E é com delicadeza e paciência que, aos poucos, o esboço se transforma em obra de arte.


Uma de suas características é não assinar mais os seus quadros, “porque algumas pessoas não estão interessadas em quem faz e sim no que se faz”, acentua.


Célia acha que o marido é criativo, mas “centraliza muita coisa nele, a prioridade é o trabalho”, diz olhando para o lado e dando um risinho para ter certeza de que não estivesse ouvindo.


Sua pequena empresa conta com seis funcionários, a esposa que faz o atendimento ao público e sua mãe, D. Umbelina de 74 anos, o ajuda na linha de produção, fazendo o acabamento das peças.


Os funcionários concordam que inventividade combina com esse artista. Exigência e perfeccionismo estão no mesmo patamar. E, acima de tudo é cuidadoso e prestativo.


Marceneiro, administrador, desenhista e mais um bocado de características que ele possui. Antônio, mostra com um sorriso, que a vida é baseada na tentativa de conseguir o melhor para si mesmo.


*Texto escrito em 2008.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Paradoxo da TPM

Por Suely da Silva Lima

Vontade de viver / coragem de matar

Paciência / Inconstância

Tranqüilidade / urgência

Calor / gelidez

Tédio / excitação

Prazer / desgosto

Desânimo / inquietação

Conformismo / necessidade de mudança

Amor / ódio

Estes são alguns dos sentimentos vividos por todas as mulheres durante a maldita TPM, aqui tratada como THF(Transtorno Hormonal Feminino). É um período de ódio / amor pelo mundo e por todos os seres que o habitam. Inclusive nós mesmas. Mas o alvo principal é este ser identificado como homem amado, muitas vezes odiado. Ao mesmo tempo em que levamos o café da manhã na cama, somos capazes de matá-los com a própria bandeija.
Não há como explicar o que sentimos.
Não queremos ser explicados. Queremos ser amadas e entendidas.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

PROGRAMAÇÃO – OSESP Itinerante 2009

Foto: Divulgação


Concertos de Câmara

Dia 16 Julho (quinta)

Entrada franca

QUINTETO DE SOPRO

Horário:18h
Local:Teatro Municipal Enzo Ticinelli

Assis- SP

Fabíola Alves flauta
Joel Gisiger oboé
Ovanir Buosi clarinete
José Costa Filho trompa
Alexandre Silvério fagote

WOLFGANG A. MOZART
Così fan tutte, KV 588: Abertura
RONALDO MIRANDA
Variações sérias sobre um Tema de Anacleto de Medeiros
JULIO MEDAGLIA
Pot-pourri
GYÖRGY LIGETI
Três Bagatelas
ASTOR PIAZZOLLA
A História do Tango

QUARTETO DE CORDAS

Horário: 20h
Local:Teatro Municipal Enzo Ticinelli

Assis -SP

Emmanuele Baldini violino
Adrian Petrutiu violino
Andrés Lepage viola
Wilson Sampaio violoncelo

HEITOR VILLA-LOBOS
Quarteto de Cordas nº 1
ANTONÍN DVORÁK
Quarteto nº 12 em Fá maior, Op.96 - Americano


Dia 17 Julho (sexta)

Entrada Franca

CORO DE CÂMARA

Horário:17h
Local:Catedral do Sagrado Coração de Jesus

Assis-SP

NAOMI MUNAKATA regente

FRANCIS POULENC
Exultate Deo
HEITOR VILLA-LOBOS
Ave Maria
Pater noster
ANTONIO LOTTI
Crucifixus a oito Vozes
MAURICE DURUFLÉ
Ubi Caritas
ANÔNIMO
Soon ah will be done (Negro Spiritual)
CLÉMENT JANEQUIN
Le Chant des Oiseaux
PIERRE PASSEREAU
Il est bel et bon
CLAUDE DEBUSSY
Dieu, qu'il la fait bon regarder
HEITOR VILLA-LOBOS
Duas Lendas ameríndias
CARLOS ALBERTO PINTO FONSECA
Oxum Marion
DORIVAL CAYMMI (arranjo de Damiano Cozzella)
Suíte dos Pescadores
NANA CAYMMI E GILBERTO GIL (arranjo de Pedro Veneziani)
Bom Dia


QUINTETO DE METAIS

Horário:20h

Local:Teatro Municipal Enzo Ticinelli

Assis-SP

Fernando Dissenha trompete
Marcelo Matos trompete
Luciano Pereira do Amaral trompa
Darcio Gianelli trombone
Darrin Coleman Milling trombone baixo

ANTHONY HOLBORNE
Três de cinco Peças de Pavane, Galliards, Almaines e Aires
GEORG FRIEDRICH HÄNDEL (arranjo de Graham Dixon)
Música aquática: Allegro e Hornpipe
JOHANN SEBASTIAN BACH (transcrição de Harry Herforth)
Cantata nº 146: My Spirit be joyful
VICTOR EWALD
Quinteto de Metais nº 1, Op.5: Allegro moderato
MORLEY CALVERT
The Monteregian Hills: Marcha
OSVALDO LACERDA
Fantasia e Rondó
EDU LOBO (arranjo de Fernando Dissenha)
Arrastão

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Novo Jornalismo de um repórter antiquado


Foto: Eduardo Reis

Gay Talese, ícone do Jornalismo Literário mundial, visita o Brasil e faz palestra em São Paulo


Colaboração Eduardo Reis*


“Quando se escreve com mais sensibilidade, com mais cuidado, se escreve com mais liberdade” – Gay Talese – São Paulo, 7 de julho de 2009


Ao abrir as cortinas, como num espetáculo, o pequeno senhor de cabelos brancos, nariz pontiagudo, terno cinza impecável, sapatos bem lustrados e chapéu na mão, adentrou em passos lentos ao palco do anfiteatro do Masp, na capital paulista. O público, cerca de 500 pessoas que esperaram mais de duas horas na fila para vê-lo, levantou-se e aplaudiu. O minuto de aplausos foi gentilmente retribuído com um pequeno sorriso e aceno positivo com a cabeça.


As primeiras filas eram ocupadas por grandes nomes do jornalismo brasileiro, como Matinas Suzuki Jr, Edvaldo Pereira Lima, Mônica Martinez. A estrela da noite de 7 de julho de 2009 – dia do cerimonial fúnebre de Michael Jackson – não tinha relação alguma com o astro do pop. Pelo contrário, o jornalista-escritor norte-americano Gay Talese, 77 anos, é reconhecido exatamente por escrever histórias reais sobre pessoas comuns, anônimas.

O autor dos livros “A Mulher do Próximo”, “Reino e Poder” e “Fama & Anonimato” disse ser uma pessoa antiquada e criticou a postura existente no jornalismo da atualidade. “Hoje as redações são mais sofisticadas, entretanto, no meu tempo, éramos mais céticos, mais incisivos. Os jornalistas de hoje não têm capacidade nem visão para criticar o poder”, afirmou.


Precisão e escrita

Para Talese, a base do bom jornalismo é a precisão das informações e a qualidade do texto. “O bom jornalismo é aquele feito com a verdade e com uma prosa tão bem escrita quanto à literatura”.


Filho de um alfaiate italiano e uma vendedora de vestidos, Talese afirma que aprendeu a reportar ao se relacionar com os clientes dos pais. “Aprendi a me comunicar com pessoas desconhecidas e a tratá-las com respeito. Veio daí o meu interesse por um jornalismo humano. Por exemplo, no esporte o placar dos jogos nunca me interessou. Eu queria escrever sobre os atletas, os juízes e até os jardineiros dos estádios” – ele complementa – “Escrevo tudo do ponto de vista das pessoas”.


Velho Novo Jornalismo

Depois de publicar “A Vida de Escritor”, uma autobiografia em que faz uma reflexão sobre a profissão, Talese prepara um novo livro sobre o próprio casamento. Segundo o autor de “Frank Sinatra está resfriado”, a ficção busca relatar a vida privada, já o jornalismo sempre descreveu a vida pública. Então, ele tentou ver até onde a não-ficção pode ir quanto às vidas particulares.


“Na produção de meu livro ‘A Mulher do Próximo’ [obra a que se dedicou por oito anos] notei que o mundo passava por uma transformação quanto aos conceitos de moralidade, pecado etc. A década de 1960 foi de abertura. Tivemos o início de revoluções de pensamentos. Naquele período eu e outros repórteres, como Tom Wolfe, Norman Mailer e Truman Capote, já notávamos que o jornalismo precisava alterar suas abordagens e elevar o nível do texto. Meu desafio era escrever como os grandes escritores, mas sem a ficção”. Surgia aí o Novo Jornalismo.


Visita ao Brasil

Gay Talese veio ao Brasil para participar da Flip, a Feira Literária de Paraty, no Rio de Janeiro. Ao finalizar sua fala no Masp, o jornalista-escritor afirmou ter ficado impressionado com o interesse dos brasileiros pelos livros. “Foi como participar de um show de rock, mas pessoas estavam lá pela palavra escrita. Não vi isso em lugar nenhum do mundo, nem em Nova York”.


O norte-americano, que também visitou a Editora Abril e participou do programa Roda Viva (TV Cultura), encerrou sua fala com um conselho aos novos repórteres: “É preciso fugir do jornalismo feito por computador. Se você for a campo encontrará informações que não esperava. Por isso não acredito que a tecnologia vá matar o jornal impresso. O que mata é o anseio pela velocidade. O jornal deve passar ao leitor o que ele não tem na internet. Haverá a necessidade dos repórteres passarem informações de forma completa e isso não pode ser feito através desta ‘cultura do laptop’”.


*Eduardo Reis é jornalista, professor universitário, presidente da Ong Fábrica da Leitura e nosso amigo!!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Fábrica da Leitura

Foto: Suely da Silva Lima

A Fábrica da Leitura está precisando de doações de móveis para montagem das salas onde serão oferecidas as oficinas pedagógicas. Quem quiser colaborar entre em contato!

INCENTIVE A LEITURA!!!!

Sede da Ong Fábrica da Leitura - "Construindo vidas através dos livros"
Contato:fabricadaleitura@gmail.com/blogs.universia.com.br/fabricadaleitura
telefone: (18) 9705-5506

A Maçã

Por Suely da Silva Lima

Lembro de uma história que marcou minha infância, era mais ou menos assim: Havia um menino muito habilidoso na arte de desenhar e impressionada com o talento do filho, a mãe decidiu colocá-lo na escola mais cedo. A primeira aula era de desenho. O garoto ficou eufórico: poderia mostrar à professora todos os seus dotes. Qual desenho impressionaria mais? O dragão alado ou o samurai? O jato supersônico ou o Porshe Carrera? Nossa! As dúvidas eram tantas que resolveu desenhar tudo. Qual não foi sua decepção ao entender que todos deveriam fazer o mesmo desenho: uma árvore verde com uma maçã vermelha. Resignado, o garoto obedeceu, mas sem nenhum entusiasmo.

Todos os dias ia às aulas, confiante de que aquele, finalmente, seria o grande dia, e ao fim de cada aula entregava à “tia” mais uma árvore verde com maçã vermelha. Num ato de rebeldia, após semanas de árvore verde/maçã vermelha, o garoto inovou e fez uma árvore vermelha com maçã verde. Pobre coitado, nunca viu a professora tão brava.

Tempos depois, já em outra escola, ao ouvir da professora um “pode começar”, o garoto nem se mexeu. Curiosa com aquele comportamento, ela aproximou-se para saber o que estava acontecendo. Com o rostinho ansioso, ele responde que espera as instruções. Sorrindo, a “Tia” diz que o desenho é livre e cada um pode fazer o que quiser. O garoto dá uma corrida de olho pela sala e observa os colegas desenhando avidamente e durante alguns minutos não faz nada além de observar, alienado, o papel à sua frente. Passados alguns minutos, abaixa a cabeça e faz a árvore verde com maçã vermelha mais linda que a professora já viu. Perfeita. Porém opaca. Triste. Sem vida.

É assim que me sinto: um garoto moldado. A ilusão de escrever o que quero foi abalada no primeiro ano da faculdade. Frases como “Olha você pode escrever tudo, desde que esteja dentro do padrão da empresa”. “Se não for contra os ideais da empresa, você pode escrever tudo”. “Tem a objetividade jornalística, que é atrelada ao veículo para o qual você trabalha”. E o sonho de mudar a história com a tinta da caneta? E a “contribuição para uma sociedade melhor e mais justa”? No segundo ano isto é esquecido e o mais importante é fazer a melhor passagem, o melhor roteiro, a melhor matéria. E o outro? A idéia de ser jornalista não é mostrar um mundo desconhecido?

Doce ilusão! Tenho plena consciência de que preciso saber escrever sobre tudo e em todos os estilos e modelos, mas não posso negar que é triste saber que no fundo acabamos nos prostituindo e sendo conivente com um sistema que começa e termina com corrupção. Infelizmente ainda é a Globo, o Estadão, a Folha e a Veja, que fazem a cabeça da moçada. Esses são o sonho de consumo de grande parte dos estudantes de Comunicação. Para eles o período na faculdade é um mal necessário e que vai passar logo.

Desenvolver técnica, imparcialidade, objetividade, ser neutro, disfarçar sentimentos, manter-se distantes. Confesso que se depender de reações como essas para ser uma grande jornalista, acabarei vendendo verduras na feira. Não acho que fazer jornalismo técnica e jornalisticamente seja omitir-se, ignorar as dores do mundo. Devemos lutar para que o Jornalismo seja mais do que uma visão superficial do outro, de mim. O pensar deve ser maior do que o reproduzir modelos pré fabricados. Padronizados. Enlatados.

Nós, jornalistas, somos mais do que simples personagens planos em um conto trágico ou em uma piada de mau gosto, porém divertida, com a única função de entreter o maior número de pessoas possíveis. Devemos ocupar nosso lugar nessa história que está sendo contada, pois a menos que esteja muito enganada somos nós os escritores.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

1ª Feira do Livro de Assis



Incentivo e ações para que 2009 seja o 'Ano da Leitura' em nossa cidade. Uma iniciativa que deu certo, reuniu centenas de pessoas durante os cinco dias e deve ser repetida.

Foto: Jaqueline Bueno

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Praça da Bíblia! Assis-SP

Foto: Jaqueline Bueno