segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sobre gritos e anticomunicações

*Por Felipe Modesto

Confesso que gritos sempre me incomodaram. Eles trazem aos ouvidos um tom inquisidor, um ar de arrogância, de argumento infundado, um tom pedante. Acredito também que eles não são repudiados apenas por mim, muita gente reclama de gritos, de dor nos tímpanos.

Semanticamente a palavra grito me parece soar diferente de brado. O brado lembra nobreza, exclamação da vitória, defesa da honra. O grito remete a bravata, a dor. Gritamos de desespero, de medo. O grito é a voz da insegurança que tenta se travestir de opinião, de protesto, mas na verdade é na maioria das vezes o ato de se expressar daqueles que hoje chamam popularmente de “corneteiros”. Quem grita não necessariamente é polêmico, mas muitas vezes carente Por isso acho que deveríamos usar de agora em diante a expressão “brado de guerra” ou o “brado do Ipiranga”. Mera opinião.

Em todas as esferas da sociedade, em qualquer profissão existe quem seja praticante dos berros, e eximo de culpa aqueles que usam os gritos como instrumento de trabalho tais como feirantes ou operadores da bolsa de valores. Eles gritam para sobreviver, faz parte da labuta.
Por outro lado me irrito com quem berra sem necessidade, por puro prazer. Políticos que inflamam discursos com vozes estridentes, mas com conteúdos meramente rasos. Pegam um verdadeiro “samba do crioulo doido” e esgoelam para que o povo considere legítimo. Aí no dia seguinte, no fila do pão, um cidadão vira para o outro e diz: “você viu como ele fala bonito?”. Fala nada meu senhor, ele grita e no fim das contas ninguém lembra do que foi dito, a única coisa que permanece é o chiado no ouvido.

Lamentável também é quando a comunicação se esgoela. Quando jornalistas tentam passar a opinião ou a informação gritando. O argumento que precisa de voz alta é invariavelmente insustentável. Tem jornalistas que sopram suas trombetas na máxima potência achando que assim vão mudar o mundo, vão acabar com as injustiças de uma tal sociedade capitalista, opressora e etc. Será que eles já tentaram falar? Será que não lhes ocorreu a brilhante idéia de que o gritar não é nítido, que é irritante? Irritante não no sentido de insistência, mas de inconveniência mesmo.

São uns chatos aqueles jornalistas que se dizem revolucionários e por não terem embasamentos eficazes para tanto procuram incessantemente qualquer rodinha de meia dúzia de pessoas, qualquer microfone para logo soltar dos lábios suas vespas histéricas e cegas. Quando fazem isso eles ferem uma premissa do seu ofício que é comunicar. O grito comunica com pouca eficiência, ele tem a ver com autoritarismo, com imposição e não com o comum, a comunhão, a comunicação.

Um formador de opinião ou um líder não precisa se exaltar. Isso não é digno de um rei e sim papel de bobo da corte. Nada contra os bobos da corte que vivem berrando por aí, eles também tem seu papel. Mas que fique claro que não é o de comunicar, de informar. O problema é que a intenção desses que gritam não é essa por isso não são tidos como outra coisa a não ser como imbecis.

E por falar em gritos e imbecis, termino citando um dos maiores comunicadores brasileiros, Hélio Ribeiro que em seu livro “O Poder da Mensagem” diz: “Inteligentes do mundo uni-vos, pois os imbecis já estão”. E estão gritando.

*Estudante de Jornalismo e nosso amigo.

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