Texto desenvolvido como atividade na aula de jornalismo humanizado.
Por Suely da Silva Lima
- O Luís Henrique fugiu!
O grito do vizinho ecoa pela humilde casa de madeira ribombando como tambores africanos. Os pés ágeis da mãe deslizam pelo chão encerado correndo para a rua, as mãos nervosas a impedem de abrir o portão e as pernas trêmulas não dão a segurança necessária para correr ou sequer andar até a rua. O muro de dois metros de altura não é alto o suficiente para impedir o garoto, que em duas manobras firmes está do quintal do vizinho.
- Corre Su, não deixa ele escapar.
E assim a nova tentativa de fuga do garoto termina encurralada no quintal ao lado.
- Tuly, quero ir para a tasa do Tadú.
-Onde ele mora Luís Henrique?
- Em Tão Taulo.
- Como você vai chegar na casa dele?
- Eu tô andando.
Com onze anos e uma lista interminável de tentativas de fugas para bairros vizinhos ou distantes, para a casa da esquina ou a Casa da Ração, Luís Henrique tem Síndrome de Aspager. Entre sua paixões estão a música sertaneja, o violão e o bolo de chocolate.
- Eu tô ser tantor – revela enquanto raspa o liquidificador sujo de bolo de cenoura que sua mãe acaba de colocar no forno.
Sem saber ler nem escrever, o garoto usa a memória para decorar as músicas da dupla sertaneja, César Menotti e Fabiano.
- Já estragou o controle remoto de tanto mexer. Ele assiste este DVD mais de vinte vezes num dia – conta Maria Luiza, mãe de Henrique.
- Eu tô ser tantor. Quer ter? “Tiumenta, pára tete teito num aquenta...” – canta o menino, enquanto finge tocar um violão.
- Tira uma toto com o Amendoim? – Pede arrastando o vira-lata pelos pêlos.
-Vem tirar uma toto Amendoim.
- Pára de apertar que ele te morde. - Alerta a mãe - Uma vez ele, o Henrique, matou um coelho de tanto que apertou. Não tem noção da força que tem. Ele adora este cachorro, aperta o tempo todo. Até de pique esconde ele brinca com este bicho.
--Eu quero um tiolão. Eu tô ser tantor. O tolo tá tonto? Mãe eu quero tolo.
- Tá quente. Espera esfriar, a Helô e o Gabriel vão chegar e eu corto o bolo para vocês.
Clap!Clap!Clap! Jump!Jump!Jump! Enquanto espera e assiste ao show na TV, o menino pula e bate palmas ao mesmo tempo em que canta. A ansiedade, uma característica da síndrome, hoje está latente.
- A perua escolar não veio hoje. Ele está acostumado a ir à escolinha, no dia em que não vai, fica nervoso, ansioso... Não gosta de sair da rotina.
Alguns historiadores afirmam que Vernon Smith, "Prêmio Nobel" de Economia em 2002, Mozart, Newton, Einstein, Sócrates, Darwin, Michelangelo, entre outros gênios sofriam da mesma síndrome...As possibilidades além do jardim de concreto são grandes.
- Eu tô ser tantor. – repete o menino com um sorriso sonhador nos lábios.
Por Suely da Silva Lima
- O Luís Henrique fugiu!
O grito do vizinho ecoa pela humilde casa de madeira ribombando como tambores africanos. Os pés ágeis da mãe deslizam pelo chão encerado correndo para a rua, as mãos nervosas a impedem de abrir o portão e as pernas trêmulas não dão a segurança necessária para correr ou sequer andar até a rua. O muro de dois metros de altura não é alto o suficiente para impedir o garoto, que em duas manobras firmes está do quintal do vizinho.
- Corre Su, não deixa ele escapar.
E assim a nova tentativa de fuga do garoto termina encurralada no quintal ao lado.
- Tuly, quero ir para a tasa do Tadú.
-Onde ele mora Luís Henrique?
- Em Tão Taulo.
- Como você vai chegar na casa dele?
- Eu tô andando.
Com onze anos e uma lista interminável de tentativas de fugas para bairros vizinhos ou distantes, para a casa da esquina ou a Casa da Ração, Luís Henrique tem Síndrome de Aspager. Entre sua paixões estão a música sertaneja, o violão e o bolo de chocolate.
- Eu tô ser tantor – revela enquanto raspa o liquidificador sujo de bolo de cenoura que sua mãe acaba de colocar no forno.
Sem saber ler nem escrever, o garoto usa a memória para decorar as músicas da dupla sertaneja, César Menotti e Fabiano.
- Já estragou o controle remoto de tanto mexer. Ele assiste este DVD mais de vinte vezes num dia – conta Maria Luiza, mãe de Henrique.
- Eu tô ser tantor. Quer ter? “Tiumenta, pára tete teito num aquenta...” – canta o menino, enquanto finge tocar um violão.
- Tira uma toto com o Amendoim? – Pede arrastando o vira-lata pelos pêlos.
-Vem tirar uma toto Amendoim.
- Pára de apertar que ele te morde. - Alerta a mãe - Uma vez ele, o Henrique, matou um coelho de tanto que apertou. Não tem noção da força que tem. Ele adora este cachorro, aperta o tempo todo. Até de pique esconde ele brinca com este bicho.
--Eu quero um tiolão. Eu tô ser tantor. O tolo tá tonto? Mãe eu quero tolo.
- Tá quente. Espera esfriar, a Helô e o Gabriel vão chegar e eu corto o bolo para vocês.
Clap!Clap!Clap! Jump!Jump!Jump! Enquanto espera e assiste ao show na TV, o menino pula e bate palmas ao mesmo tempo em que canta. A ansiedade, uma característica da síndrome, hoje está latente.
- A perua escolar não veio hoje. Ele está acostumado a ir à escolinha, no dia em que não vai, fica nervoso, ansioso... Não gosta de sair da rotina.
Alguns historiadores afirmam que Vernon Smith, "Prêmio Nobel" de Economia em 2002, Mozart, Newton, Einstein, Sócrates, Darwin, Michelangelo, entre outros gênios sofriam da mesma síndrome...As possibilidades além do jardim de concreto são grandes.
- Eu tô ser tantor. – repete o menino com um sorriso sonhador nos lábios.



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