domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ideologia, um fator de ordem

Por Jaqueline Bueno

A indústria cultural cria necessidades e as ações vindas dela são bem planejadas para as pessoas acreditarem que se estão consumindo algo é porque precisam e não porque lhe impuseram aquilo. Assim tornam-se servis aos seus comandos, movem-se conforme as regras, alienam-se e submetem-se a horas de desperdício de tempo pelo “falso prazer”. Não exercem, de fato, a sua liberdade e se privam de conteúdos enriquecedores, levando a uma visão cada vez mais reducionista e materialista imposta pelo capital, pelas disparidades sociais, culturais e econômicas.

A ideia de ordem e progresso é ideológica, pois não é possível ordenar uma sociedade baseada no imediatismo, no efêmero e muito menos haver um progresso significativo em que a dignidade humana não é colocada em prática.

O filme “Cama de gato” contrapõe essa indústria cultural de caráter político, econômico e social – nessa ordem – que desapropria o saber. Este filme, realizado com uma verba mínima se comparado às produções Hollywoodianas, levanta questões como a violência gerada por uma sociedade excludente, de aparências. Discute ainda a relação entre as pessoas, a falta de ajuda mútua, de controle e de limites. E aponta como uma educação sólida e solidária, com princípios e metas, modifica o pensar e o agir, sem propiciar vantagens apenas “aos mais potentes interesses”, além de apresentar as consequências de atos impensáveis.

A chamada estandardização - padronização dos gostos - é planejada e, intencionalmente, gerada para levar ao consumo, pois quanto mais pessoas consumirem a mesma coisa, haverá menos discussões em torno dessa coisa. Essa falta de consciência leva aos problemas vividos atualmente, como por exemplo, o aumento no índice de pessoas obesas com níveis culturais e financeiros baixos, pois como afirma o pediatra Alessandro Danesi, “comida ruim é barata”.

De acordo com resultados das pesquisas do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), apresentados na edição de novembro/2009 da Revista Brasil, “71,6% dos alimentos anunciados na TV são: fast food, guloseimas e sorvetes, refrigerante e suco natural, salgadinho de pacote e biscoito doce ou bolo; e 73,1% dos produtos estão prontos para consumo – a maioria em gordura, sal e açúcar”. Neste caso, não importa a qualidade, mas a aparência e a máxima de que se fulano usa ou consome, terei que usar e consumir para me sentir aceito socialmente e ainda porque não exigirá muito de mim.

Felizmente, se se diz que o “mundo quer ser enganado” teremos que concordar em partes, pois há pessoas deixando de curva-se para o monopólio da indústria cultural e buscando subsídios para que todos percebam a importância de incorporar o espírito de criticidade e de liberdade oportuna.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

P.S.

Nosso blog é democrático e abre espaço para quem tem vontade de se expressar. Por isso, abaixo segue um texto de uma amiga!

Aproveitem!

O amor que ainda não conheço

Por Rafaela Vital

É como passe de mágica que a gente quer sempre viver. Amigos: queremos sempre os mais perfeitos; família: desejamos sempre a mais presente e unida; projetos: são os mais fascinantes e desenvolvidos; amor: é melhor não comentar, aliás, vamos sim comentar sobre esse sentimento tão polêmico, porém fascinante. Afinal se desejamos e conquistamos tantas coisas como num passe de mágica, por que no amor somos sempre tão medrosos para sonhar ou desejar que ele aconteça? É tão frustrante o medo da perda? Ou é fácil demais para querer conviver com ele?

O amor é algo que, pessoalmente, não parece muito vantajoso. Mas dizer que não o quero ou que, todas as vezes quando meu coração bater aceleradamente, eu não me empolgue seria uma falsa confirmação, mas existe em mim sempre algumas interrogações como “será que é verdadeiro este tal amor de homem e mulher?”, “ele realmente existe, ou apenas foi formado pelos autores de novelas melosas?”

Bem, para aqueles que já conquistaram este TAL AMOR, meus parabéns, tiveram sorte. Para os que ainda não encontraram, mas acreditam que ele existe, tenha paciência. E para os que não encontraram, mas também não acreditam que ele exista, continue vivendo as mesmices de sempre, ou então vivendo paixões e aventuras que por alguns momentos os levem aos mundos mais delirantes, porém inseguros e sem perspectivas de um futuro real, palpável.

Não posso deixar de mencionar, aqueles que encontraram o seu grande amor, mas por medo ou talvez por timidez, nunca deixaram que seu (a) amado (a) soubesse, sinto muito, você terá duas escolhas: Descobrir outro amor mais forte do que este ou viver se lastimando para o resto da sua vida por não ter escolhido arriscar por este grande grande amor.

Por isso, hoje vivo cada momento como se fosse o último. Não encontrei o GRANDE AMOR DA MINHA VIDA, mas ao contrário do que possa pensar, eu acredito que ele exista e espero que quando ele bater na minha porta eu esteja PRONTA para recebê-lo e viver esta sensação ainda não experimentada!

Amar parece ser muito bom, ser AMADA, sem dúvida É MELHOR. Então, lembre-se que ninguém alcança algo se não estiver pronto para recebê-lo. Na vida há sempre escolhas para serem feitas, portanto estejamos sempre preparados, pois não é sempre que aparece o GRANDE AMOR DE NOSSAS VIDAS. Sejamos atentos, pois ele pode estar ao nosso lado, basta estarmos dispostos a enfrentar os obstáculos e descobrir o que é AMAR e ser AMADO sem medo de ser feliz!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O lado negro*


Por Jaqueline Bueno

Hoje eu acordei com uma vontade danada de voltar para casa. Na verdade, dormi pensando nisso. Quase sessenta mulheres dividindo o mesmo espaço. As camas estão enfileiradas, de frente umas com as outras, as luzes estão enfileiradas, as vidas também. Este é um dos motivos que me faz querer sair correndo daqui.

Estou experimentando uma cegueira que atinge o íntimo, tateia a individualidade e procura o que antes era real. A sensação é de estar num outro país, com uma cultura completamente distinta. A língua é a mesma, mas a linguagem é completamente diferente. Isso se chama Brasil, como os soldados gritam por aqui e completam: “Acima de tudo”.



Neste espaço as crenças e os valores se cruzam e se confundem. E assim como as camas, as luzes e as pessoas, comecei a pôr em fila também as minhas vontades e refleti sobre as minhas atitudes.


Estou há duas noites dormindo em um beliche, numa cama em cima de uma companheira de viagem. A garota estuda na mesma faculdade onde conclui minha graduação, nunca nos encontramos e agora precisei ensiná-la o valor de um simples ‘’por favor” ou “obrigado”. Esses ensinamentos eu trago de casa, o lugar para onde quero muito voltar; ela os levará para lá.

Momentos estranhos e inesquecíveis estou passando num quartel onde se é acordado às 5h50 com tiros e bombas na janela e com as notas musicais dos instrumentos dos soldados. Coisas raras, como todas as pessoas nesse metro quadrado repleto de cores branca, verde e marrom.

Se já valorizava a minha vida ao lado das pessoas que amo, como minha família, meus amigos e o povo da minha terra, agora passei a adorá-las, honrá-las e a agradecê-las por serem como eu e por me ensinarem a respeitar as diferenças, sem importar a situação.

Apesar de tudo, nesse momento deitada em uma cama que não é minha, com um travesseiro que não é meu e com pessoas que não me pertencem, acredito ainda mais na força de cada um, acredito no ser humano.


*O texto foi escrito durante a viagem do Projeto Rondon que aconteceu de 22 de janeiro a 08 de fevereiro de 2010.

O que é ser rondonista?*


Imagino que todos se perguntaram durante toda a viagem o que é o Rondon. Por que nós estamos reunidos, numa comunidade tão istante da nossa, com pessoas diferentes de nós... Bom... Nós, equipe de Paraúna, não sabemos a resposta exata para essas perguntas, mas sentimos que tudo se transformou durante essa experiência tão maravilhosa.


Durante todo o percurso da viagem transpusemos barreiras... Abrimos mão de manias, superamos medos, dividimos o que outrora nos era indivisível.


A realidade nua e crua da vida de outras pessoas abriu a nossa mente para além das nossas próprias vontades e nos permitiu ver que não estamos aqui apenas para seguir caminhos individualizados, tão somente para formar multiplicadores. A bem da verdade, se surgirem multiplicadores será mérito único e exclusivamente dos moradores da comunidade.


Estamos aqui porque somos o futuro. Somos os próximos a fazer leis... A gerir a economia, a saúde, a educação... A escrever as notícias dos jornais, a direcionar as relações externas brasileira, a dirigir as políticas de proteção ambiental, a gerenciar indústrias, desenvolver as pesquisas tecnológicas... Enfim, somos os próximos a presidir este país.

E como faremos tudo isso se não conhecermos a fundo a realidade e os anseios do povo brasileiro?



É óbvio que com essa experiência não conhecemos a maior de todas as necessidades desse povo tão imenso e diversificado. Entretanto, podemos afirmar uma coisa, nada é como nós imaginávamos. A noção de realidade mudou, expandiu um pouquinho mais e certamente nos tornamos mais do que rondonistas, mais do que formadores de multiplicadores, mais do que humanos sensíveis... Nos fundimos ao nosso povo e nos tornamos realmente BRASILEIROS!


Este RONDON já está acabando. Estamos voltando para a correria do dia-a-dia, junto com nossos familiares e amigos. Mas certamente valeu muito cada segundo dessas duas semanas em PARAÚNA.


Todos os abraços, olhares e palavras que recebemos, as novas amizades que firmamos, a dedicação e o companheirismo do nosso querido anjo Neves... Verdadeiro instrumento de Deus, um ser humano exemplar e inesquecível... Tudo irá nos acompanhar eternamente.


E sem dúvida, quando formos os líderes deste país não tomaremos as decisões pensando apenas em nossa individualidade, mas também e principalmente naqueles que nos ensinaram muito mais do que aprenderam.


É com imenso carinho que nós do IMESA e da UNB agradecemos... Muito obrigado Rondon! Muito obrigado Paraúna! Obrigado, muito obrigado, Neves!

*Este texto foi escrito pela equipe de rondonistas que atuou em Paraúna- GO. O grupo foi composto por professores e alunos do Instituto Municipal de Ensino Superior de Assis (Ébano, Osmar, Anderson, Jaqueline, Heloísa, Izaura, Celso e Guilherme) e da Universidade de Brasília (Regina, Éric, Mainnã, Felipe, Rafael, Marina e Aline) e foi citado como exemplo pelo General responsável.

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Apresentação: Natália Torreti
Produção e texto: Jaqueline Bueno
Edição de imagens: Rodolfo Paschoalino
Direção Geral: Ronei Granero

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Obs. No Guia Assis você pode conferir a coluna "Chá das cinco" da Suely!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sempre acreditei em Papai Noel

Por Suely da Silva Lima

Sempre acreditei em Papai Noel, Coelho da Páscoa e acho que existe até Saci-Pererê, mas confesso que nesta reta final – de ano e de curso – estou meio descrente destes mitos, lendas e entidades, mas não é por nenhum motivo em especial, é apenas por desânimo mesmo. Os desafios e a vontade de recomeçar que sempre mexeram comigo, têm passado longe e confesso que quero entregar os pontos, arrumar um marido e ter um monte de filhos. Sei que isto não é nenhum tipo de punição ou algo ruim, mas para mim é, pois essas idéias “casamenteiras” deixei adormecida décadas atrás. Ouvi-las ressoando em minha cabeça em um momento decisivo começa a me preocupar.

E o mundão que eu penso em desbravar? E as viagens para lugares inabitáveis? As noitadas? As descobertas? As aventuras? Em que lugar vou encaixar marido e filhos? Não são mochilas nem acessórios de viagem e não cabem em qualquer lugar: para meus planos futuros são totalmente impraticáveis.

Ao mesmo tempo, os “planos esquecidos” décadas atrás eram tão doces e saborosos que não posso simplesmente esquecê-los em algum lugar remoto do meu limbo cerebral. Eu gostava deles. Eles eram eu. Rejeitá-los não é em parte rejeitar a mim mesmo? Não sei, acho melhor pensar mais um pouco antes de qualquer decisão definitiva, para não correr o risco de me perder neste trajeto...