terça-feira, 12 de maio de 2009

**O Dia em que a terra parou

Por Suely da Silva Lima

- Seu pai morreu.

-O QUE?

- Sua tia ligou pra mim lá no serviço e disse que seu pai morreu.

O buraco aberto no chão me tragou de tal maneira que demorei dias para sair dele e perceber o que de fato havia acontecido.

Não quis saber como, quando, nem onde: simplesmente corri. Corri para o mais longe possível e por tanto tempo que as pernas fraquejaram. Não conseguia identificar nem um poste, placa, carro. Nada. Na minha frente apenas um borrão, as lágrimas não me deixavam enxergar.
Lembro de estar parada na beira da rodovia olhando caminhões passando e pensando se eu deveria estar ali.
- Minha mãe deve estar preocupada! Melhor voltar para casa e continuar a estender as roupas. Amanhã tem aula e preciso de roupas secas. Preciso fazer o jantar, a lição. Preciso dormir. Mas meu pai não vai voltar.

- Você me ouviu?

- O que minha mãe?

- Seu pai caiu de uma construção e quebrou o pescoço. Morreu no hospital, já foi enterrado, sua tia Odete ligou para avisar.

Olhei ao redor e percebi que continuava parada, imóvel com uma peça de roupa na mão pronta para estender. No chão de terra batida, uma bacia com tantas outras peças para o mesmo fim.

- Mentiiiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Ele não morreu. Ele disse que vinha me buscar. Eu estou esperando!

E aí, eu saí correndo...

4 comentários:

  1. Caracasssss...Olha sem palavras para essa FUTURA JORNALISTA DE FUTUROOOOOO...

    Amo vc SÚ...

    Marcos Gonçalves ...DUDU...

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  2. Obrigada...vc me acompanhajá tem um tempinho e sabe que foi barra!!!
    Bjs

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  3. é difícil quando os pais vão embora.
    o meu também foi, de certa maneira.
    freud, freud

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  4. são barreiras que vão se criando.
    o seu morreu, o meu foi embora.
    como derrubar as barreiras?

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