terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Especial de Feira

Estamos fazendo um especial sobre Feira. Por isso, publicaremos do texto principal aos bastidores da reportagem...

Já publicamos 3 textos, abaixo segue a 1ª parte do texto principal "Numa rua logo ali".

Aproveitem!

Jaque e Suely

Numa rua logo ali - PARTE 1

Jaqueline Bueno

Suely da Silva Lima

Fotos: Jaqueline Bueno


A confusão de vozes, a mistura de cores fazendo a visão se perder e logo buscar um novo foco, a diversidade de cheiros, o aroma adocicado das frutas junto com o cheiro de fritura, do tipo que se sente na casa da vó. Muita gente. Muito riso.


- Essa é da boa.

- Doce de sidra...

-Olha, escureceu!

- Quanto tá esse tomate?

- R$3,00.

- Hum... o limão tá grande.


A alegria não está só nas pessoas, mas também nas cores vivas das lonas cobrindo as barracas, nos cones plásticos listrados demarcando o espaço. A placa amarela que identifica o local fica encostada perto de um matagal atrás da primeira banca à direita. Desnecessária.


Em Assis, no trecho conhecido como Travessa Sorocabana, onde as ruas Floriano Peixoto e 11 de junho se confundem, é um ponto de encontro onde não se marca encontro. Aqui é obrigatório andar a pé aos domingos de manhã. Sem pressa, as pessoas se ‘acham’ casualmente, fazem novos amigos, descobrem novos sabores e aproveitam o tempo sem culpa, nem preocupações.


Com um certo gingado, de 28 anos de feira, laranja e faca nas mãos, o cândido-motense Josué vem cuspindo sementes e falando muito com o seu chapéu de lona na cabeça e um sorriso engraçado. “Minha casa, meu carro consegui com o dinheiro daqui, tudo o que eu tenho”, explica enquanto aponta para as abobrinhas, os tomates e outros legumes que ficam na sua barraca em uma das extremidades da feira, na entrada.


Entre os feirantes, Josué é conhecido como um dos sortudos da rifa. Os prêmios sempre são frangos e porcos assados. “Eu gasto de 15 a 17 reais por rifa. Mesmo que eu não ganhe, eu ajudo todo mundo”. A renda arrecadada com as apostas é revertida para a AFRA – Associação dos Feirantes de Assis e Região, que organiza as feiras livres e os feirantes da cidade.


A rifa da AFRA é vendida pelo “Seu” José Carlos Farias que não gosta muito, mas faz para ajudar os outros. Somente os feirantes podem tentar a sorte e garantir um assado no almoço de domingo. Mas para isso tem que ter coragem, pois como revela o Seu José,“os dois maiores ganhadores da rifa são o Josué e o Pacheco”.

- Tá vendo? Ele (José) chega e joga a rifa aqui na banca com medo de que a gente não queira comprar, mas só aqueles dois é que ganham”, duvida a doceira Adeusir Fornazari. Ela é fruta fresca na feira, faz dois meses que vende doces caseiros na barraca.


- Eles (feirantes) acham que eu faço ‘chucho’. É que os dois compram bastante. – explica.

Com 63 anos, o vendedor de rifas, desde que sofreu um acidente e machucou a coluna, durante a construção de um dos prédios do programa do Governo Estadual, está tentando se aposentar. Ele tem quatro filhos e é casado com a Marilza Farias, 50 anos, que vende artesanato de dez pessoas em uma única barraca.


Os feirantes lucram em média R$400 reais por dia - este valor é calculado por eles -, mas mesmo assim têm alguns que não conseguem pagar todas as contas. É o caso de Marcelo dos Santos, 33 anos, que herdou uma dívida do pai feirante. Agora ele e sua esposa Lucilene, um ano mais nova, mudaram a rotina para participarem de todas as feiras realizadas em Assis e solucionarem o problema. “Faz três meses que ele morreu, por isso estamos aqui. Acho que dentro de quatro meses já vamos conseguir o dinheiro, pagar as contas que ele deixou e daí vamos vender a barraca”, conta com tristeza. Na banca, alho e grãos trazidos da capital paulista e de Minas Gerais.


- Quanto tá o quilo do alho? - pergunta um senhor de barba grossa que empurra sua bicicleta em meio a multidão.


- Tem de R$11,50...R$9,75 e R$8,80. – responde com voz de feira.


- Beemmm graúdo, hein.- retruca o senhor da bicicleta. O adjetivo foi dado para o alho e para o preço.


O professor de Língua Portuguesa, Milton Martins, que tem dois filhos morando no exterior e um que “não faz nada sem pedir para a mãe”, sempre vai à feira porque acha que os produtos são melhores e mais baratos. “Hoje eu vim apenas para comprar chicória e alho, porque estamos com um peixe no fogo e minha mulher está em casa com umas visitas. Sempre passo um bom tempo na feira, mas hoje estou querendo gastar apenas alguns minutos”, se despede e sai cumprimentando umas pessoas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

É preciso organizar (especial - Feira)

Jaqueline Bueno
Suely da Silva Lima

Com 65 associados, que pagam uma mensalidade de R$20, a AFRA – Associação dos Feirantes de Assis e Região - organiza as feiras e os feirantes de Assis , no inteiror de São Paulo. Lá pelos idos de setembro de 2004, um grupo de pessoas resolveu fundar a Associação para não precisar depender de verba pública e ninguém ficar no sufoco.

“O bom de ter a Associação é que fica mais fácil conseguir parcerias, financiamentos e comprar os produtos mais baratos como, por exemplo, as embalagens”, contou a descendente de italianos, Edneide Rodrigues Dalle Vedove, que assumiu o cargo de 1ª tesoureira da Afra em agosto deste ano.

Foto: Jaqueline Bueno

Para vender qualquer tipo de produto na feira, antes é preciso conversar com o fiscal que orienta o possível feirante sobre a aceitação do seu produto naquele espaço. Também é ele quem indica o lugar onde a barraca de cada pessoa vai ficar. Às vezes, ele é tido no sentido mais pleno da palavra: aquele que vigia, mas na verdade “é preciso de alguém que coloque tudo em ordem”.

Todos os membros da Associação dos Feirantes de Assis e Região são voluntários, apenas José Spera é funcionário público municipal. É ele quem fiscaliza e ajuda na organização das feiras livres de Assis desde 1988, permaneceu no cargo durante oito anos, com a troca de prefeitos deixou a função por um tempo, mas uma mobilização dos amigos feirantes o trouxe de volta, apesar de alguns não gostarem de sua presença.

“Eu e o Spera temos muito em comum. Gostamos das coisas certas e tudo o que temos para falar, falamos direto para a pessoa”, comenta a tesoureira da Associação.

Faz alguns meses que o Presidente faleceu e a AFRA está em fase de mudanças. Por isso, todas as pessoas envolvidas estão “correndo atrás” para colocarem tudo em ordem. A Associação não tem sede, porém o endereço para correspondência ainda é o do antigo presidente na Rua Pompéia, 700, na Vila Progresso.
Rifa vendida entre os feirantes para arrecadar dinheiro para AFRA

“Alguns feirantes reclamam de pagar a mensalidade, mas é com esse dinheiro que conseguimos realizar eventos, confraternizações, sorteios e pagar outras contas”.

As feiras livres de Assis são realizadas de terça a domingo. Os feirantes passam às terças-feiras pela Praça da Mocidade, às quartas eles se dividem entre a Concha Acústica e a Rua Lopes Trovão, na Vila Progresso. Todas as quintas é a vez da Praça da Bíblia, nas sextas na Vila Adileta. A chamada feira da Gelosom é sempre aos sábados e, aos domingos, dia em que mais gente procura os produtos frescos do espaço, é na Travessa Sorocabana.