terça-feira, 27 de outubro de 2009

Assis recebe Dia Internacional da Animação


De 28 de outubro a 1 de novembro, às 20 h, Assis recebe O Dia Internaiconal da Animação. A mostra de curtas nacionais e internacionais será exibida no Galpão Cultural e no Cinema FAC.

Localização
Galpão Cultural - Rua Teixeira de Camargo, 205. Vila Operária

Cinema FAC - Rua Brasil, 15 - Centro

A entrada é gratuita!!!!!!!!

A programação completa está no site http://www.abca.org.br/dia/

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A voz do coração



Por Jaqueline Bueno


Todas as vezes que a sua emoção vai a mil, eu tento me movimentar tão rapidamente para não ter um colapso que depois o ar tem que passar lentamente por mim e ser distribuído pelo resto do seu corpo.


Todas a vezes que a paixão tomo conta de você, sou eu – o amigo -, forte ou fraco, grande ou pequeno, rápido ou lento, que bombeia o sangue pelas suas partes internas e trabalha em consonância com o seu cérebro.


Nas horas felizes pulo feito sapo na lagoa, feito chocolate em fogo alto, feito eu mesmo, do jeito que vim ao mundo, junto com você.


Nas horas tristes sinto dores, tanto que você reage quase simultaneamente ao meu pedido de socorro. Haja coração! ... para agüentar as tardes de sol, as noites de luar, para se acostumar com o inverno, o verão, a primavera.


Ei! Você pode parar e voltar sua atenção só um pouquinho para mim? Eu acordo e durmo com você. Passeio, te acompanho no banho, no choro, te espero, te aqueço, mas você não tem nenhum tempinho para mim.


Se um dia eu desistir de você, quero só ver. Não vai nem lembrar que um dia existi. Vou fazer um teste: entro de greve por alguns dias, vamos ver se o Senhor(a) vai subir aquela montanha, vai patinar com os amigos,. Vai sentir a música predileta bem lá dentro do seu peito.


Quer saber, farei isso mesmo e nunca mais verá a luz do dia.


Pi...pi...pi...pi....piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii................................................

segunda-feira, 19 de outubro de 2009



Reminiscências

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Olhar estrangeiro

Por Suely da Silva Lima


Que é que eu tô fazendo aqui? É assim que começa uma música sertaneja muito conhecida, e foi exatamente essa a pergunta que me fiz ao chegar à Vila Maria Isabel. Mas ao contrário da música, minha pergunta não tinha melodia nem o restante da letra, apenas latejava em minha cabeça como um refrão pegajoso de uma balada fúnebre e sem retorno. A cada passo dado, o eco ressoava na cabeça mais forte. O que, em nome de Jesus, eu estou fazendo aqui?


Sem ter muita opção em um bairro desconhecido, com gente desconhecida, comecei a circular, meio tensa, meio receosa. Bateu a sede. Nenhuma casa de amigos, ninguém para pedir água, apenas um boteco no meio de um quarteirão qualquer. Enquanto tomava um refri trincando de gelado, percebi o jogo no campo de malha em frente, curiosa me aproximei. No terreno ao lado um cavalo dava seus últimos suspiros, cheguei perto, olhei bem. Ninguém se preocupa? “Vixe! Tá morrendo faz dias, já tá na hora, esse aí tem uns 60 anos”. Exagero, eu sei. Mas o bicho era só couro e osso, era difícil não acreditar no comentário. Péssimo dia para morrer!

O jogo estava tão animado que não resisti ao convite para jogar também. Deixei o receio e a mochila de lado e joguei como há muito não jogava. Foi legal. Libertador. Lógico que perdi, mas prefiro acreditar que os deixei ganhar, afinal não queria criar encrenca em lugar desconhecido.


Com a disposição renovada, decidi dar outra volta pelo bairro. Parece que nada mudou: na rua os cachorros passam, e fazem o que mais gostam de fazer, o que todo cachorro faz com ciência: os cães latem, mas parece que nesses lados o latido do bicho é diferente. Parece um lamento, ou não. Sei lá acho que estou ouvindo demais.


Pessoas sentadas nas calçadas, sarjetas, cadeiras de área (se são de área porque estão na rua?), ou apenas em pé encostadas no muro conversando com a vizinha. Chegar sem avisar não é um problema, o estranho é avisar antes. Mas neste caso, avisar a quem? Não conheço ninguém! É engraçado como as coisas parecem diferentes por essas bandas, as coisas aqui tem vida. Um frio do cão e as crianças jogando burquinha na rua. Pé no chão, bermudão e moletom. É até engraçado de ver. A vida fora do centro é diferente do que estamos acostumados: cachorro latindo, crianças correndo, gente sentada, conversando, pessoas nos bares. Conversas correm como eletricidade no fio. Sou um estrangeira neste País periferia.


È meio louco: não desconheço, mas não me é familiar, o receio inicial é substituído na medida em que viro figurinha carimbada no bairro, já cumprimento novos-velhos conhecidos, tratando-os pelo nome. Coisas novas se misturam, já reconheço pontos e rostos, é como se estivesse voltando para casa, crianças fazendo festa quando vêem câmera. Engraçado novamente, aliás, este é um sentimento que acompanha minhas visitas: diversão. Coisa boa, novas descobertas, gente sorrindo, virando a cara. “Você aqui de novo”? Pois é enquanto não acabar não paro de vir. E assim vai, gente passando, cachorro latindo...