segunda-feira, 27 de abril de 2009

Você está louco

Por Suely da Silva Lima

Leia rapidamente e sem parar para tomar fôlego: Camada de ozônio, efeito estufa, aquecimento global, desmatamento, reciclagem, reflorestamento, Protocolo de Kioto, etanol, metanol, bicombustível, biodiesel, biomassa, equilíbrio ecológico, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, chuva ácida, queima limpa, fonte renovável de energia, redução na emissão de poluentes, Greenpeace, ativistas ambientais, biorremediação, assoreamento, desenvolvimento sustentável.(Chega! Pode respirar agora mas continue lendo) Palavras como estas e outras mais feias ainda, até pouco tempo desconhecida ou ignoradas, agora fazem parte do nosso cotidiano. Estão presentes em jornais, revistas, filmes, documentários e até mesmo na hora daquela relaxadinha básica para ver a novela.

Na escola as crianças têm noções de reciclagem, o prédio tem coleta seletiva, a empresa é amiga da natureza, os produtos no supermercado são orgânicos, a madeira é de reflorestamento, os eletrodomésticos são econômicos, todas as embalagens são recicláveis, , seu carro é flex-fuel e, pasmem, em alguns países já existe até roupa biodegradável!

A onda agora é ser “do bem”, ter um pensamento verde, ser ecologicamente correto. Mas o que isso significa e que palavras são essas que de repente invadiram seu vocabulário e sua vida e agora estão protagonizando qualquer conversa banal?

O que está por traz de tudo isso é a consciência de que algo não está bem com nossa cidade. Nosso estado. Nosso País. Nosso Planeta! Ele está doente e os sintomas apresentados até agora são desanimadores. Não podemos afirmar ainda que seja incurável, mas a Terra está na UTI, pedindo socorro, e o único que pode ajudá-la é você.

Como? Isso é simples, é só seguir algumas regras básicas do tipo “jogue lixo no lixo”, e nem precisa ser reciclável, mas se for melhor ainda.

Sabe aquele chicletinho que você mastiga por quatro horas seguidas enquanto assiste aquelas aulas enfadonhas sobre algo que você nunca vai usar na vida? Pois é ele demora 5 anos para se decompor na natureza. Aquela Coca Cola tamanho família trincando de gelada que acompanha todas as refeições, reuniões de amigo, grupos de estudos ou qualquer outro aglomerado de adolescentes, como você, que tem planos mirabolantes para melhorar o mundo? Depois de consumida sobra apenas a embalagem e se não for jogada no lugar certo vai vagar sobre a terra por pelo menos 100 anos, assombrando e aterrorizando, adultos problemáticos, que na adolescência tinha planos mirabolantes para salvar o mundo mas esqueceu de fazer coisas essenciais como jogar “lixo no lixo’, que nem precisava ter sido reciclável mas que não faria nenhum mal se fosse...

Papo chato né? Deu vontade de fumar? Cuidado onde joga o filtro do seu Free ou são mais 5 anos de penúria e sofrimento na imensidão terrestre.

Já sei, essa conversa está parecendo aqueles papos de fantasmas que seus pais usavam para te manter em casa, na linha? De certa maneira é. A única diferença é que aquilo era fantasia e a destruição do planeta é algo bem real. Seus pais queriam , da maneira deles, o seu bem e quando você acordava assustado, tendo pesadelos por daquelas histórias “educativas” que te contavam antes de dormir, eles sempre apareciam, te pegavam no colo e te colocavam para dormir na cama deles.

Quem fará isso pelo Planeta?

A quem interessar possa

Por Suely da Silva Lima

Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém.Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...E ter paciência para que a vida faça o resto...
Shakespeare

Escrevo para você, que não me enxerga. Escrevo com o coração carregado de sentimentos confusos. Latentes. Doloridos. Marcantes. Escrevo, também, para aqueles que como eu, sofrem e vivem por amor, a poesia paradoxal mais que perfeita já criada.

Escrevo para você, que tem em seu peito um sentimento deliciosamente cáustico. Você sabe que estou falando do pior e ao mesmo tempo mais gostoso amor: o amor não correspondido, ou melhor o amor não revelado. Aquele que te queima de frio no calor escaldante. Aquele que te faz suar a zero grau. Aquele que te faz perder o sono, que tira sua concentração. Aquele que te faz esquecer de respirar, de comer, de viver. Aquele amor que torna os seus dias monocromáticos, Aquele desgraçado amor sem o qual você não pode viver. Aquele que dói no âmago, que te faz perder o pino, o centro, o rumo. Aquele que te faz rir de tristeza e chorar de alegria. Amor shakespeariano. Trágico. Impossível.

Amor torturante que mata e alimenta a alma. Neste amor tudo é uma expectativa: a espera, a chegada, a despedida, a troca de olhares, o aperto de mão. O simples ensaio de um sorriso soa como gargalhada aos ouvidos de quem ama. Amor, amor! Como viver sem? Como conviver com? Ser ou não ser correspondido? Essa é a questão! Amor louco, trágico, quase ilegal. È como se fossemos ladrões de sentimento, sempre a espreita, furtando momentos, olhares, gestos. Registrando clandestinamente, no coração, cada meneio de cabeça ou desvio de olhar. Cada aceno, cada desencontro.

Ah ! O amor, como diria o poeta ou profeta ,não sei, é fogo que arde sem se ver, e como dói essa ferida. Aberta, exposta, sujeita as dores e as curas do mundo. Amar, sofrer, nascer, morrer, onde começa um e termina outro?

Aos homens carregados de “ismos”

Por Jaqueline Bueno

Do Havaí ao Alasca. Do Oiapoque ao Chuí. Para que ir tão longe?
Na minha terra quem come caviar ou penne ao molho branco é quem trabalha. Quem dá o latido mais forte é aquele que fez a vigilância noturna. Contas de água, luz e telefone são divididas igualmente segundo os conceitos dela. O primeiro canto não é mais do sabiá, agora é da... da sabiá mesmo.

Nessa não longínqua extensão de terra, bebê chorão trazido pela cegonha já vem com um bilhete: “Destinado aquele que passa as tardes de domingo no sofá, dá tapinhas nas costas de amigos e diz Oba! Ao invés de Olá.

Naquele lugarzinho, cabra-macho não tem vez. Lava louça, lustra móveis, arruma a cama e leva a gurizada para a escola. Nesse mundo o tal Manú lá da Índia ficaria sobre a guarda da mãe, e se casasse seria dado a esposa o papel de guardiã e todos os seus 700 artigos cairiam por terra firme e árida.

Maomé quem o diga. Se o “cabra” cometer adultério, ou melhor, resolver cuidar do bebê chorão da comadre é amarrado ao pau-de-sebo em praça pública e depois só Alá é quem sabe.

Nesta terrinha o famoso Adão não come do fruto proibido e sinônimo de felicidade é somar maridos como se fosse um hobbie. (Isto não é propaganda!) É que lá homem é quem paga indenização e tem seus bens confiscados.

*Homenagem às mulheres - Comemoração ao Dia Internacional da Mulher em 08/03/09

A primeira experiência

Por Jaqueline Bueno

O pensamento e a imaginação me fascinam, mas a vontade pelo conhecimento é insuperável. Fico anestesiada. Ainda mais quando essa vontade é tida por crianças e adolescentes. Em meio a poeira e a variedade de exemplares, eu e o presidente da Fábrica da Leitura, Eduardo Reis, conversávamos sobre a hora da entrega do material à Ong Braços Abertos, localizada no bairro Cohab IV em Assis-SP. Porém, não sabíamos o que, de fato, as pessoas esperavam de nós e nem o que nós esperávamos delas.

A placa amarela interditava um pedaço da rua, dentro do salão as crianças ouviam atentas e repetiam as palavras pedidas pelo orientador com sotaque americanizado.

A nossa chegada causou certo estranhamento, seguida de uma dose de curiosidade. Minutos depois, me senti dentro de um furacão de perguntas e frases soltas. A posição se inverteu e me senti acuada. Parei ao lado da mesa onde ficavam os livros e não mexi nem os dedos do pé durante um tempo, apenas o globo ocular acompanhava os movimentos no ritmo do hip-hop tocado dentro do salão.

Mas como diz aquele ditado: “depois da tempestade vem a bonança”. Subitamente, voltei ao estado que chamamos de normal e vi várias crianças sentadas no meio fio e encostadas na parede, e o sol fazia com que as cores das capas gerassem uma luz intensa, uma mistura de atitude, idéias e alegria. Os menores corriam e pediam para a “tia” ler a história enquanto eles observavam as figuras.

De “O menino do dedo verde” até os quadrinhos de “A turma da Mônica”, parecia que havia um acordo firmado entre as linhas negras e os olhos, entre as mãos e o papel, entre a mente e a informação.

*A Fábrica da Leitura é uma associação de incentivo à leitura. Sua sede fica na cidade de Assis, interior de São Paulo.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Um grão em meio à multidão

Por Jaqueline Bueno

“Uma vida sem reflexão não merece ser vivida.” - Epicuro

Acreditar que não existe o impossível quando se trata da transformação de uma pessoa através da leitura é uma maneira adequada para se viver bem e perceber que o conhecimento é transcendental. O Dia Internacional do Livro, comemorado no dia 23 de abril, é uma homenagem aos escritores Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Foi entre os caminhos percorridos por Dom Quixote e Sancho Pança e nas reflexões de “O Menestrel” que estes autores transformaram a vida de muita gente no mundo.

Todas as comemorações realizadas para lembrar essa data mostram como a leitura deve fazer parte do dia-a-dia das pessoas seja para distrair ou para aprimorar o conhecimento. A Fábrica da Leitura aderiu à uma idéia vinda dos Estados Unidos e adaptada no Brasil, conhecida como bookcrossing, e aproveitou o Dia Internacional do Livro para incentivar os assisenses a ampliarem seu contato com a leitura e o universo dos livros.

A "Campanha Livro Livre" é uma iniciativa inédita em Assis que reforça os objetivos do projeto de propagar a leitura de maneira criativa e livre de amarras sociais. É uma campanha para todos. A proposta também reafirma a tese do filósofo Epícuro que diz que a felicidade plena só é alcançada quando se compartilha aquilo que se sabe e quando se busca a auto-suficiência pelo conhecimento.